JOGO SEM FIM?

O nome dado ao nosso blog reflete o que hoje estamos presenciando nesses escândalos das CPIs, ao primeiro olhar e reflexão acabamos por achar que tudo acabará em Pizza. Em algumas das minhas visitas por sites que escrevem notícias e artigos sobre política, encontrei um artigo interessante e considerei que seria uma boa forma de expressar o jogo envolvido nesses escândalos.
Artigo da escritora Maria José Esteves de Vasconcellos, autora do livro “Pensamento sistêmico. O novo paradigma da ciência”.
Comunicações paradoxais, mensagens indecifráveis, são comuns nos sistemas humanos que constituímos, na família, nos negócios, na política... Aprisionam os participantes, deixando-os sem saída. Se alguém afirma “estou mentindo”, o ouvinte não saberá se ele está mentindo ou falando verdade: a afirmação só será verdadeira, se não o for. Se alguém recebe a instrução “seja espontâneo”, também ficará sem saída: para ser espontâneo, não poderia seguir a instrução.
Distinguimos um sistema humano, quando percebemos uma forma de organização, evidenciada nas “regras de relação” que lhe dão identidade, seguidas pelos que o constituem, enquanto ele continuar existindo como tal. Seus padrões de interação são as “regras do jogo”, seja do sistema familiar, empresarial, político... Uma vez instituídas, as relações se dão de acordo com elas.
Alguma das regras constitutivas do sistema político são: competir em busca do poder (base da distinção aliados x adversários); auto-promover-se e desqualificar os adversários; aliar-se circunstancial e provisoriamente, apenas visando vantagens nas próximas disputas; fazer barganhas, dissimular, desconfiar, manipular, mentir, ser esperto, fazer jogadas estratégicas... Qualquer dessas regras, não explicitadas, aprisiona os membros do sistema e gera um “jogo sem fim”. A regra de jogar com esperteza, por exemplo, impedirá que alguém leve em consideração uma necessidade do opositor, mesmo que a reconheça como legítima.
A CPI se constitui como um sistema político e, apesar de ter objetivos e regras específicas, não escapa das regras gerais. Assim, seus membros usam estrategicamente seu tempo de exposição na mídia, para auto-promoção e ataque aos adversários, ao invés de usá-lo em perguntas investigativas. Seguem a regra da esperteza: usam na CPI as regras das tribunas ou dos horários políticos.
E fica evidente que todos são reféns do jogo que constituem ao jogá-lo. Na CPI, um deputado faz várias acusações ao investigado, e este responde com as mesmas denúncias.
Esses personagens políticos dizem o que já sabemos sobre sistemas: seguimos as regras de interação e assim garantimos a sobrevivência do sistema que constituímos. São as jogadas que mantém a identidade do sistema.
No caso do sistema CPI, investigado e investigadores são membros do mesmo sistema político. O acusado, conhecendo bem o jogo político, pode lembrar a seus parceiros, aos investigadores, que continuam jogando esse jogo e suas regras prevalecendo para todos.
Refletindo sobre esse artigo, algumas das questões levantadas pela escritora, tornaram-se motivos para que eu ficasse me perguntando também, Como poderiam os jogadores livrar-se desse “jogo sem fim”, se suas regras não incluem uma regra sobre mudanças nas regras? E se as propostas de mudança são lances do próprio jogo? Parece impensável que o sistema produza uma mudança que faça diferença.
Uma mudança correta seria aquela, onde se exigiria que um novo sistema fosse constituído com uma regra fundamental consensual que não permitisse o descumprimento das regras formais, e que estas sejam estabelecidas visando o bem da coletividade, considerando o outro, seja ele quem for, como legítimo outro, sempre buscando uma revolução ética, com uma mudança radical nas premissas que constituem a estrutura pessoal de cada um dos jogadores.
POR: SIMONE CARMONA

2 Comments:
Hi Bruna, I want to introduce you to http://freearticle.name
Simone, interessante esta sua colocação, gostei do texto!
Abraços
Marcelo Pereira
Postar um comentário
<< Home